A visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ao sul do Líbano, região que as Forças de Defesa de Israel (FDI) mantêm sob ocupação desde o recrudescimento das operações militares contra o Hezbollah no segundo semestre de 2025, não é um ato meramente protocolar: é uma declaração política de permanência territorial que coloca em xeque os acordos de cessar-fogo ainda formalmente vigentes e que sinaliza ao mundo árabe e às potências ocidentais que Israel não pretende retirar suas tropas do sul libanês no horizonte próximo. Netanyahu, que acompanhou pessoalmente a avaliação do território controlado pelas FDI em visita realizada na manhã desta segunda-feira, transmitiu à opinião pública israelense a mensagem de que os objetivos militares da campanha no Líbano foram atingidos, ao mesmo tempo em que deixou deliberadamente em aberto a questão do prazo de permanência, omissão que, no vocabulário da diplomacia, possui valor equivalente a uma resposta.
O sul do Líbano, onde o Hezbollah construiu ao longo de décadas uma infraestrutura militar de surpreendente sofisticação — com túneis, depósitos de armas e sistemas de mísseis que chegam a alcançar o centro de Israel —, é também uma região de densa presença civil, cujas populações foram deslocadas em massa durante os combates e que aguardam ainda condições seguras para o retorno. A permanência de tropas israelenses nesse território, mesmo que definida como “temporária” pelo governo de Tel Aviv, é lida pelos libaneses, pela Liga Árabe e pela ONU como uma ocupação que viola o direito internacional e que alimenta o ciclo de ressentimento e radicalização no qual o Hezbollah sempre encontrou seu caldo de cultura. Para a Europa e para os Estados Unidos, cujo apoio a Israel é crescentemente questionado por parcelas de seus próprios eleitorados, a cena de Netanyahu percorrendo território libanês ocupado é um desafio comunicativo de difícil administração.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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